Segunda, Outubro 23, 2017

Prática Profissional

Regulamentação ou mudança cultural?

Na minha opinião, que enxerga apenas parte do problema e não tem a pretensão de ser uma verdade suprema, a regulamentação da profissão de designer esconde algumas armadilhas:

“Regulamentação resolve tudo”

Não, não resolve. Muita gente tem mania de ficar esperando que uma coisa chamada “governo” resolva tudo sozinha e que uma lei consiga operar milagres, como a mudança instantânea de uma cultura de produção e uso do design.

Vou citar um exemplo de como uma regulamentação não resolve nada sozinho, em outro campo, o da medicina:

Médicos prescrevem medicamentos usando uma receita médica. Só que muitos deles escrevem de forma incompreensível, levando a todo tipo de problemas, desde danos à saúde, até à morte do paciente. Problema sério, certo? Com uma lei que regulamentasse a escrita das receitas, tudo se resolveria, certo? Errado.

Médicos escrevem receitas difíceis de entender por uma série de fatores, que se não forem resolvidos em conjunto, dificilmente se irá resolver o problema.

Dentre os fatores que contribuem para que uma receita incompreensível cause danos aos pacientes, temos:

1. A formação dos médicos nas faculdades, já que não se ensina o jeito adequado de se produzir receitas. Logo, temos um problema na base do conhecimento médico, na própria universidade.

2. Não há uma lei ou padrão sobre como devam ser as receitas. A lei resume-se a dizer que elas devem ser “legíveis”, sem explicar o que é “ser legível”. Legível pra quem? O médico lê sua própria receita, logo, pra ele, ela é legível. Ou seja, uma regulamentação mal feita, não gera resultado nenhum. O próprio governo do Paraná criou uma lei exigindo que médicos escrevessem usando caixa alta, letra de forma ou de imprensa, e sabem o que aconteceu? Nada. Os médicos continuam escrevendo com letra cursiva, como fazem há séculos.

3. Depois de formados, médicos ganham mal (mesmo tendo sindicato, conselho federal de medicina, tabela de preços para procedimentos médicos etc.). Por isso, fazem várias jornadas de trabalho e ficam cansados. Precisam atender muitos pacientes para poder ganhar melhor, mas pra isso precisam ganhar tempo, e vão tirar o atraso nos procedimentos burocráticos, como escrever uma receita. Ela é escrita com pressa, e o resultado são as letras com formato irreconhecível.

4. Não bastasse tudo isso, as farmácias querem vender seus remédios, e isso não combina com a recusa de uma receita que ninguém entendeu. Mesmo não tendo certeza do que o médico escreveu, as farmácias querem vender de todo jeito, e aceitam as receitas, quer sejam compreensíveis, quer não.

Portanto, quando um paciente toma um remédio errado, ou na dose errada, ou na frequência errada, enfim, isso não é culpa da letra do médico. Isso é uma combinação de fatores, que começa com falhas na formação universitária, falta de leis claras que definam com precisão o que deve ser feito, baixos salários, necessidade de atender muitos pacientes com pressa e farmácias que querem vender de qualquer jeito, e só pensam no próprio bolso. Neste caso, das receitas, resolver a questão da regulamentação sem melhorar a formação dos médicos sobre este procedimento, sem melhorar as condições de trabalho, sem modificar o comportamento dos médicos e sem fiscalizar as farmácias, não vai impedir o problema das receitas incompreensíveis, que prejudicam pessoas.

Trazendo para o lado do design, criar uma regulamentação não vai resolver o problema dos baixos salários, da baixa valorização do design, falta de reconhecimento do papel cultural do design e da baixa qualidade do ensino do design nas instituições. Para que a situação melhore, é preciso uma mudança cultural, e esse processo é lento e exige um esforço planejado, não podendo depender do acaso e da sorte.

Um caminho possível, que foi adotado nos Estados Unidos, é o da criação de uma associação forte de designers profissionais, que não cobra diplomas nem faz provas de conhecimento para admitir novos associados (diferente do modelo europeu, que se parece com um club fechado, e exige aprovação de portfolio). Essa associação estadunidense chama-se AIGA, e foi fundada em 1914, numa sala com 20 pessoas. Hoje tem mais de 20.000 membros. Diferente do modelo de club (fechado, difícil pra entrar), a AIGA usa o modelo de hub, rede (aberto, fácil pra entrar, mais difícil pra ficar). Ao invés de fazer exigências na entrada, a AIGA cobra dos seus associados a obediência a um código de ética profissional.

Em troca dessa obediência, a AIGA oferece:

1.Apoio ao designer em todos os pontos da sua carreira, seja como estudante, recém formado ou designer com muitos anos de experiência.

2. Defesa do valor do design perante empresários, governo e sociedade.

3. Uma voz única, representativa do design, que fala em nome de todos eles, defendendo seus interesses quando necessário.

Para cada item citado acima, a AIGA desenvolve dezenas de programas e atividades, agindo diante de diversos públicos interessados, como os designers, profissões relacionadas, empresários, governo, sociedade civil. Através de diversas frentes de trabalho, o design deixa de ter apenas um nome chique, mas distante das pessoas, para ter uma voz e ser uma força cultural pró-ativa, que não simplesmente reage aos problemas, mas procura se antecipar a eles.

Para quem se interessar em saber mais sobre a associação, o site deles é www.aiga.com

Essa é minha contribuição para essa discussão sobre a regulamentação. Vale lembrar que eu não sou contra a regulamentação em si. Eu sou contra a visão de que ela será uma panacéia, e vai livrar os designers de se associarem e tomarem uma atitude PRÓ-ATIVA, em nível local.

Como disse Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

PS: Foster, estou esperando você para o café :)

Associação nasce para fortalecer o design paranaense

Associação

 

Aconteceu quarta-feira, dia 21/10, a Assembleia de Constituição da PRoDesign, a Associação de Empresas e Profissionais de Design do Paraná. O evento foi realizado no Teatro Paiol, em Curitiba, e contou com a participação de mais de 120 pessoas, sendo que 44 já se associaram como fundadores. Na oportunidade, foram apresentados o estatuto e a diretoria da Associação, que tem objetivos práticos. São eles:

  • promover o constante aumento do valor do design por meio das melhores práticas, do conhecimento e da visibilidade;
  • integrar e coordenar seus associados, imprimindo unidade à sua ação, no sentido de apoiá-los em suas questões profissionais;
  • aumentar a visibilidade das empresas e profissionais de design do Paraná;
  • instituir a representatividade, social e educacional dos designers;
  • promover o aperfeiçoamento dos profissionais de design, organizando debates, conferências, exposições, seminários e outras atividades congêneres;
  • difundir o conhecimento sobre o design, em especial, o paranaense;
    • formular, coordenar e executar projetos e programas.

Para 2010, o objetivo principal será a visibilidade do design paranaense na Bienal Brasileira de Design Curitiba 2010. Empresas, profissionais, professores, estudantes, além de parceiros, poderão fazer parte do quadro de associados.

Além da Bienal, também serão realizadas iniciativas que contemplem os interesses de designers empregados, freelancers e estudantes de design, através de comissões de trabalho criadas para esse fim. Essas comissões serão formadas pelos próprios associados, que terão espaço para propor idéias e levá-las adiante.

Conheça a diretoria da PRoDesign:

Presidente | Naotake Fukuhima ( Nexo )

Vice-presidente | Guido Lautert Dezordi ( Lumen )

Diretores Institucionais | Ricardo Martins ( Professor UFPR e Autônomo )
e Roger Edmund Rieger ( Komm )

Diretores Executivos | Silvio Silva Junior ( Lumen ) e Karine Mitsue Kawamura ( Lumen )

Diretores Comerciais | Joaquin Fernandez Presas ( Ponto ) e Cassios Gabardo ( Vitral )

Diretores de Comunicação | Alessandro Tauchmann ( Opus ) e Marcos Minini ( Master )

Diretores de Eventos | Álvaro Gusso ( Identidade ) e Alexandre Domakowski ( Doma )

Diretores Financeiros | José Augusto Tulio Filho ( Blu ) e Nei Zuzek ( Roda )

Contato:  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Qual a prioridade no projeto de interfaces?

Recentemente, com a moda da Web 2.0, do conteúdo colaborativo, o poder do conteúdo nas mãos dos usuários etc., muita ênfase se deu ao que se diz ou se apresenta nos sites e sistemas de informação. Mas o principal geralmente fica em segundo lugar: a tarefa. O que o usuário quer fazer com essa informação? Ele consegue encontrá-la? Consegue ler? Guardar? Enviar pra um amigo? Imprimir?

 

Uma reflexão interessante sobre esse assunto pode ser vista no artigo <<Gerry McGovern Says “Manage the Tasks”>> http://www.uie.com/articles/managethetasks/ em inglês.

O texto também fala sobre a importância de se descobrir quais são as tarefas principais (Top Tasks), através do comportamento dos usuários, com o objetivo de garantir que a interface os ajude a completá-las com 100% de sucesso.

Vale a pena ler.

Modelo simplificado para construção de sistemas de identidade visual

Educando o cliente: Como o design pode ser útil ao marketing?

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